Doença de Peyronie: Guia Completo Sobre Causas, Sintomas e Tratamentos Avançados

Revisão Médica
Artigo escrito e revisado clinicamente pelo Dr. Alexandre Miranda (CRMRJ: 52.72103-4), Urologista (RQE: 13152) com atuação em Andrologia e pesquisador com foco internacional em Doença de Peyronie.
O que é a doença de Peyronie?
A Doença de Peyronie é uma condição fibromatosa, caracterizada por um depósito anormal de colágeno, o que gera fibrose no tecido peniano. É como se o corpo reconhecesse aquele local como necessitando de cicatrização, iniciando um processo inflamatório que, por isso, pode causar dor.
Em seguida, há uma migração de células especializadas, os fibroblastos, que começam a depositar colágeno. Esse colágeno é um material inelástico, duro e rígido, e por isso há a formação de nódulos palpáveis (a fibrose) no pênis.
Trauma é a causa principal?
Embora muitas pessoas associem a doença a um trauma ou microtrauma, apenas cerca de 10% dos pacientes relatam de fato um evento traumático como causa inicial. A verdade é que a gênese da doença de Peyronie é multifatorial.
A condição envolve fatores intrínsecos do paciente, como:
- Predisposição genética: A presença da doença de Dupuytren (contratura na mão), por exemplo, aumenta significativamente o risco.
- Fatores bioquímicos: Podem estar envolvidos radicais livres, citocinas e falha na degradação da fibrina.
- Alterações celulares: Incluindo marcadores genéticos ainda em estudo.
Diferentemente de uma cicatrização normal (onde o colágeno é reabsorvido), na doença de Peyronie o “gatilho” da cicatrização permanece ativo. Há um excesso de depósito de colágeno sem a remoção adequada, e essa fibrose impede o pênis de se distender corretamente, funcionando como uma “cola”, causando as curvaturas e deformidades.
Sinais e Sintomas: Como saber se eu tenho Peyronie?
A doença de Peyronie pode se manifestar de várias formas. Os sintomas mais comuns que um paciente pode notar são:
-
Deformidades no Pênis: A curvatura é a mais frequente, sendo mais comum para cima (dorsal). Também podem surgir deformidades em “ampulheta” (estreitamento localizado) ou redução do calibre.
-
Placas ou Nódulos Palpáveis: É muito comum sentir um “caroço” ou área endurecida sob a pele, resultado do acúmulo de fibrose.
-
Dor Peniana: Presente em cerca de 36,7% dos casos, ocorrendo principalmente durante a ereção.
-
Perda do Volume peniano: Cerca de 60% dos pacientes relatam uma perda no volume peniano.
- Perda do Comprimento peniano: Cerca de 80% dos pacientes relatam uma perda no comprimento peniano entre 1,5 a 2,0 cm. (média)
-
Disfunção Erétil (Impotência): Dificuldade em ter ou manter a rigidez, presente em 20% a 50% dos pacientes.
Como é Feito o Diagnóstico Correto?
O diagnóstico da doença de Peyronie é essencialmente clínico, baseado na história relatada pelo paciente e no exame físico realizado por um urologista experiente. Durante o exame, com o pênis sob tração manual, é possível palpar as áreas de fibrose (placas) e avaliar suas dimensões.
O teste de ereção fármaco-induzida
Em pacientes com curvaturas significativas ou que relatam piora da rigidez, o exame mais útil é o teste de ereção fármaco-induzida. Esse teste permite ao especialista avaliar com precisão:
- A magnitude da curvatura.
- O padrão da deformidade (se é simples ou complexa).
- E o mais importante: a rigidez axial, que é o parâmetro mais relevante para definir o tratamento.
🎥 Assista a um vídeo e entenda como funciona o Teste de Ereção Fármaco-Induzido
Nota do especialista: E o ultrassom doppler peniano ?
Muitos pacientes perguntam sobre o ultrassom com doppler. Embora ele possa ser associado ao teste de ereção, ele não é essencial. Sua realização não modifica a conduta ou o prognóstico e, por isso, é considerado dispensável na maioria dos casos.
Métodos complementares na avaliação
Para auxiliar no diagnóstico e planejamento, outros dois recursos são importantes:
- Autofotografias: O uso de fotos do pênis em ereção, tiradas pelo próprio paciente em ângulos padronizados (conhecido como fotos de Kelami), é um recurso muito valioso e não invasivo.
- Erection Hardness Score (EHS): Quando há suspeita de disfunção erétil associada, utilizamos esta escala objetiva que classifica a rigidez peniana.
As Fases da Doença: Ativa vs. Estável
Fase Ativa (Inflamatória)
- Dor (especialmente durante a ereção).
- Piora gradual da deformidade e da curvatura.
- Possível crescimento das placas de fibrose.
Fase Estável (Crônica)
Após o período inflamatório, a doença costuma entrar na fase estável, na qual os sintomas cessam sua progressão. Considera-se que o paciente atingiu esta fase quando permanece por mais de 3 meses sem dor e sem piora da deformidade ou aumento do tamanho da placa. É importante notar que, em alguns casos (cerca de 12% dos pacientes), pode ocorrer uma remissão espontânea da doença.
Opções de Tratamento para Doença de Peyronie
O tratamento da doença de Peyronie pode ser considerado desde a fase aguda (ativa), especialmente quando há dor ou perda de rigidez. A decisão é avaliada a partir dos sintomas e do impacto funcional — com ênfase na rigidez medida no teste de ereção fármaco-induzida.
De forma geral, os tratamentos são divididos em duas categorias principais:
- Tratamentos não cirúrgicos
- Tratamentos cirúrgicos
Tratamentos NÃO cirúrgicos
A seguir, abordaremos as opções não cirúrgicas, suas evidências científicas e seus reais benefícios.
Tração Peniana
A tração peniana é uma das principais modalidades conservadoras, com evidência científica estabelecida. Aproximadamente 1/3 dos pacientes apresentam boa resposta, enquanto cerca de 24% não apresentam qualquer melhoria. O uso deve ser diário, por pelo menos 3 meses. Em média, observa-se uma recuperação de 1,0 a 1,8 cm em comprimento peniano.
Onda de choque de baixa intensidade focal
As ondas de choque de baixa intensidade focais são uma opção importante, especialmente na fase aguda. Seus principais benefícios comprovados são:
- Redução da dor durante a ereção.
- Estabilização da progressão da doença (evitar progredir a curvatura).
- Melhora da função erétil
- Melhora na qualidade de vida do paciente.
É importante notar que as ondas de choque não corrigem curvaturas já estabelecidas.
Terapias injetáveis (injeção de enzima específica)
A principal terapia injetável é a injeção de uma enzimas específica que “corrói” o colágeno. Estudos mostram uma melhora média de 34,4% na curvatura. No entanto, é crucial notar que:
- O uso de placebo (injeção de soro fisiológico) já promove, em média, 18,2% de melhora.
- Portanto, o benefício adicional real da enzima é de aproximadamente 16,2%.
- Seu custo é elevado (estimado entre US$ 28.000 e US$ 36.000) e não está disponível no Brasil.
- Pode causar complicações relevantes, como hematomas, dor intensa e até ruptura da túnica albugínea.
Outros tratamentos (sem comprovação científica)
É fundamental que o paciente tenha cautela com tratamentos sem comprovação científica clara.
- Medicações Orais: Não corrigem a curvatura. A t⟑d⟑l⟑fil⟑ pode ser usada na fase aguda para tentar reduzir o depósito de colágeno, mas não reverte a deformidade.
- Cremes, pomadas e i0nt0for℮s℮: Sem eficácia comprovada.
- Oz0ni0t℮r⟑pi⟑: Sem evidência científica para tratamento da Doença de Peyronie.
Tratamentos cirúrgicos para a doença de Peyronie
As indicações para tratamento cirúrgico ocorrem quando a deformidade peniana dificulta ou impede a relação sexual, ou quando o impacto psicológico é significativo. De forma clássica, a cirurgia é recomendada apenas quando a doença está na fase estável (há ao menos 6 meses sem dor ou progressão).
Uma exceção importante são os casos com indicação clara de implante de prótese peniana por disfunção erétil significativa. Nesses pacientes, não é obrigatório aguardar a estabilização completa da doença.
Avaliação inicial: Como escolher a cirurgia correta?
O primeiro passo é avaliar a função erétil do paciente:
- Se a função erétil está preservada, opta-se por cirurgias que corrigem a curvatura (plicatura ou enxerto).
- Se há disfunção erétil, a indicação clássica é o implante de prótese peniana, que resolve a rigidez e a curvatura em um único procedimento.
Plicatura (para curvaturas menores que 60°)
Esta técnica é indicada para pacientes com boa função erétil, curvaturas menores que 60° e pênis com comprimento acima da média. A cirurgia consiste em encurtar o lado “longo” do pênis (o lado oposto à placa) para igualá-lo ao lado curto, retificando a curvatura.
Enxerto / grafting (para curvaturas acima de 60°)
Esta é a técnica de escolha para pacientes com boa função erétil, mas com curvaturas acima de 60°, deformidades complexas (como ampulheta) ou pênis com comprimento abaixo da média. Nessa técnica, realiza-se uma incisão na placa (no lado “curto”) para expandir o pênis, e um enxerto é usado para cobrir o defeito criado.
Implante de prótese peniana
O implante de prótese é a solução para pacientes com disfunção erétil associada. No entanto, ele também pode ser indicado, mesmo em pacientes com função erétil preservada, nos casos de:
- Deformidades muito complexas (multiplanares, ampulheta severa).
- Perda importante de volumetria ou comprimento peniano.
- Queixa estética ou funcional com grande impacto psicológico.
Inovação e Liderança: Minhas Técnicas para a cirurgia de Peyronie
Embora as técnicas cirúrgicas padrão (Plicatura, Enxerto e Prótese) sejam eficazes, elas podem apresentar limitações, como risco de perda de tamanho ou disfunção erétil pós-operatória
iGrafter: Precisão Computadorizada na Cirurgia de Enxerto
A cirurgia de enxerto (grafting) é ideal para curvaturas complexas, mas o tamanho do enxerto é um fator crítico: enxertos grandes aumentam o risco de disfunção erétil pós-operatória
O iGrafter calcula a distribuição ideal das incisões ao longo da curvatura, permitindo a correção completa com uma redução de aproximadamente 50% na área total do enxerto comparado a técnicas tradicionais como o Double-Y
Resultados a Longo Prazo: Nossos estudos de acompanhamento a longo prazo (média de 111 meses) confirmam que a técnica assistida pelo iGrafter® preserva a função erétil (sem declínio significativo no IIEF-5, p=0.446), mantém o comprimento peniano e resulta em alta satisfação do paciente (81%) (resultados apresentados no Congresso Mundial da ISSM e publicados no J Sex Med, 2024)
Técnica Auxética: Recuperação de Volume SEM Enxerto (Inovação Premiada)
Para pacientes com perda significativa de comprimento e calibre peniano (comum em Peyronie, pós-prostatectomia ou fibrose pós-priapismo) que necessitam de prótese peniana, desenvolvi a Técnica Auxética.
Inspirada em materiais com propriedades de expansão bidimensional (auxéticos), criei um padrão de microincisões na túnica albugínea que permite que o tecido peniano se expanda tanto em comprimento quanto em calibre, simultaneamente, sem a necessidade de enxertos
Resultados e Reconhecimento Internacional:
- Recuperação Volumétrica: A técnica demonstrou um ganho médio de 40% na volumetria peniana, restaurando comprimento e calibre perdidos. Em nossa série de casos, o ganho médio de comprimento foi de 1.8 cm e de calibre 1.2 cm
.
- Correção Completa: A expansão permite a correção de qualquer deformidade (curvatura, ampulheta) durante o implante da prótese
.
- Publicações: A base teórica e os resultados clínicos foram publicados no The Journal of Sexual Medicine e apresentados nos principais congressos mundiais, como da AUA (American Urological Association) e ISSM (International Society for Sexual Medicine)
.
- Prêmio Internacional: A técnica recebeu o prêmio de Melhor Vídeo (Best Video Award) no Congresso Anual da AUA em 2025 (Las Vegas), sendo realizada pela equipe do Men’s Health da Cleveland Clinic
.
Artigos internacionais publicados pelo Dr. Alexandre Miranda
Nova técnica cirúrgica para recuperação do comprimento e calibre peniano
O Dr. Alexandre Miranda publicou em dezembro de 2021 um novo conceito para correção das curvaturas/estreitamentos peniano. A nova técnica se destina a recuperação do comprimento e calibre peniano perdidos.

Prêmio Internacional
Em 2025, a equipe de Men’s Health da Cleveland Clinic recebeu o prêmio da American Urological Association (AUA) no Annual Meeting em Las Vegas, utilizando a técnica auxética, desenvolvida pelo Dr. Alexandre Miranda, para correção da doença de Peyronie com implante de prótese peniana.
Vantagens do uso do iGrafter
Novo artigo internacional mostrando redução de 50% da área de enxerto e menos erros nas correções da curvatura peniana, utilizando o iGrafter (criado pelo Dr. Alexandre Miranda).
O resultado potencial é a melhor preservação da função erétil
iGrafter - Aplicativo para correção da curvatura peniana
Nova tecnica cirúrgica criada pelo Dr. Alexandre Miranda, publicada na revista internacional SEXUAL MEDICINE, para correção de curvaturas penianas.
Primeiro Simulador impresso em 3D para Peyronie
O Dr. Alexandre Miranda criou e validou um modelo impresso em 3D, para treinar cirurgiões na correção das curvaturas penianas.
Seu trabalho foi publicado no Sexual Medicine
Aumento Peniano durante o implante de prótese
Artigo internacional de revisão sobre aumento peniano durante o implante peniano. Co-autoria do Dr. Alexandre Miranda, juntamente com médicos das universidades de Rochester, Arkansas e Michigan (EUA).
Problemas gerados pelas técnicas cirúrgicas comuns, na correção do Peyronie
Artigo publicado na importante revista internacional The Journal of Sexual Medicine, pelo Dr. Alexandre Miranda, sobre as cirurgias corretivas das curvaturas penianas.
Impacto psicológicos da doença çde Peyronie – Veja a entrevista com o psicólogo Antônio Carvalho.
Evento internacional organizado pelo Dr. Alexandre Miranda sobre curvatura peniana.

25TH World Meeting on Sexual Medicine 2024
Dr. Alexandre Miranda apresentou, no congresso mundial de medicina sexual, os resultados de longo prazo das suas técnicas cirúrgicas para correção da curvatura peniana.
Summit on Penile Curvature Surgery - 2024
Dr. Alexandre Miranda organizou o primeiro encontro internacional dos principais cirurgiões que se dedicam ao tratamento das curvaturas penianas.
Congresso Americano de Urologia 2022
Dr. Alexandre Miranda apresentou uma série de casos com a utilização da sua nova técnica cirúrgica Auxética, em New Orleans – EUA.
Academia Nacional de Medicina
Dr. Alexandre Miranda fala sobre Peyronie no Simpósio de Cirurgia Reconstrutora Urogenital da ANM
Apresentaçào no XXXVII Congresso Brasileiro de Urologia
Dr. Alexandre apresenta suas novas técnicas cirúrgicas para a doença de Peyronie
Curso de Peyronie da HCFMUSP
Dr. Alexandre Miranda ensia sua técnica para correção de Peyronie em um curso na HCFMUSP
Curvatura peniana / Doença de Peyronie
Veja a entrevista concedida pelo Dr. Alexandre Miranda sobre curvaturas penianas, doença de Peyronie e cirurgias genitais.
Apresentação no Congresso Americano de Urologia - 2016
O Dr. Alexandre Miranda apresentou sua nova técnica cirúrgica, para correção de curvatura peniana, no congresso anual da Associação Americana de Urologia em San Diego – 2016.
Publicação em vídeo
Novo video da técnica cirúrgica do Dr. Alexandre Miranda publicado no Video Journal of Prosthetic Urology da Internationa Society for Sexual Medicine














